Por Paulo Camargo e Alexandre Álvaro


Hoje em dia o conhecimento vem sendo cada vez mais reconhecido como o pilar mais importante sobre o qual se alicerça o desenvolvimento sustentado de uma nação. Além do
estoque de capital, trabalho e de recursos naturais, o insumo fundamental para a criação de riqueza é o conhecimento. Conhecimento científico e sua materialização na forma de
inovação e tecnologia têm sido considerados como elementos fundamentais para o desenvolvimento econômico e social.
Durante décadas Robert Solow e seus inúmeros sucessores defenderam a teoria do crescimento econômico exógeno. Solow (1956) desenhou modelos de desenvolvimento econômico para os quais as mudanças tecnológicas exógenas seriam o principal vetor do progresso.

Paul Romer, vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2018, desenvolveu a teoria do crescimento endógeno, publicado 30 anos após a clássica obra de Solow, em 1986. Ele enfatiza que a mudança tecnológica é o resultado de esforços de pesquisadores, empreendedores e inventores que respondem a incentivos econômicos e que ideias são diferentes de quase todos os outros bens, pois não são rivais. Bens padrão na economia clássica são rivais. Ideias, por outro lado, não são rivais. Ideias não se esgotam com o uso. Pelo contrário, é perfeitamente possível que um grande número de pessoas tenha e use uma mesma ideia simultaneamente. A não-rivalidade por ideias, portanto, pode gerar retornos crescentes e em escala. Com recursos rivais, no entanto, há sempre retornos constantes de escala.

Romer argumenta que ao longo da história o mundo é caracterizado por um crescimento substancial, tanto no estoque total de ideias quanto no número de pessoas que as criaram, e é isso que sustenta o desenvolvimento econômico e o crescimento exponencial a longo prazo. O trio vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2019, Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer, desenvolveu estudos e abordagens experimentais que permitiram avançar na proposição de políticas, programas e medidas, públicas e privadas, mais eficazes para melhorar a saúde e a educação infantis.

Na área educacional, um de seus trabalhos que gerou maior repercussão mostrou que a ajuda direcionada a alunos com baixo desempenho escolar melhorou significativamente os
resultados educacionais, comprovando que o foco sobre a melhoria dos programas pedagógicos, inclusive com a personalização do ensino, é uma medida eficaz para melhorar a qualidade de educação como um todo na sociedade. Os pesquisadores foram capazes de demonstrar que, se por um lado a pobreza tem como consequência a deterioração do atendimento em saúde e a oferta de uma educação de qualidade inferior, por outro lado, iniciativas pontuais e objetivas de melhoria incremental dessas situações têm como resultado o alívio gradual, porém crescente e cumulativo, das
condições de pobreza extrema.

Dessa forma, os estudos desse trio de pesquisadores possibilitaram que a área das ciências econômicas, conhecida como economia do desenvolvimento, se desenvolvesse significativamente, passando a melhor descrever os mecanismos e as ações através das quais as sociedades podem evoluir de condições de extrema pobreza para condições de desenvolvimento econômico sustentado. Gerar e deter conhecimento, além de saber transformá-lo em inovações tecnológicas e mercadológicas, torna-se então muito estratégico, tanto para o dinamismo e a prosperidade da sociedade, quanto para o desenvolvimento econômico de qualquer país.

As nações mais desenvolvidas social e economicamente são hoje justamente aquelas que investem, de forma sistemática, em educação, ciência e tecnologia, e são capazes de transformar os frutos desses esforços em inovações. É por intermédio da inovação que o conhecimento se socializa, e se materializa em bens e serviços para as pessoas. A educação tecnológica e empreendedora instrumentaliza e empodera o aluno com habilidades e competências essenciais para seu futuro, transferindo necessariamente uma concepção de mundo, que tem o poder de formar e conformar a consciência do indivíduo e da sociedade.

A educação tecnológica e empreendedora tem o potencial de construir o conhecimento, as habilidades, competências e valores dos alunos, que em última instância determinarão suas atitudes e comportamentos, impactando o futuro próspero de sua família e sociedade. Ao se considerar os avanços científicos nas áreas da economia do desenvolvimento e da economia do conhecimento deve-se ressaltar a importância da educação tecnológica e empreendedora como vetor de desenvolvimento econômico sustentado e próspero. Sua implementação estratégica e universal deve ser entendida como instrumento de políticas públicas de natureza educacional, científica e econômica, bem como é um fator de diferenciação competitiva relevante na iniciativa privada, em qualquer mercado e para toda a sociedade.

Paulo Camargo, Sócio Diretor e Head de Inovação e Novos Negócios da Viamaker Education.

Alexandre Álvaro, Consultor de TI da Viamaker Education.

Artigo originalmente publicado na Revista Linha Direta, Edição 263, Fevereiro 2020. Acesso disponível online em: https://www.linhadireta.com.br

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